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10/03/10 - Mesmo sem grandes eventos ou novidades, a quarta-feira terminou de forma positiva para os mercados brasileiros. A Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) retomou os 69 mil pontos depois de movimentar mais de R$ 10 bilhões. O dólar ameaçou passar de R$ 1,80, mas fechou em baixa. Os contratos de juros futuros encerraram estáveis.
No mercado americano, o pregão de ontem marcou um ano do fundo do poço para os principais índices de ações. Em 9 de março de 2009, alguns indicadores testavam mínimas em mais de 12 anos. Desde então, os preços apenas subiram, com Dow Jones e S & P 500 acumulando ganhos de quase 70%.
No entanto, os compradores (bulls, no termo em inglês) não apareceram para a festa. As compras, que não foram muito fortes durante o dia, perderam força no fim da tarde, mas, ainda assim, o Dow Jones fechou com leve alta de 0,11%. O S & P 500 ganhou 0,17%. Já o Nasdaq subiu 0,36%.
Por aqui, o pregão começou bastante movimentado, com a Bovespa girando mais de R$ 1 bilhão com menos de uma hora de pregão. O que impulsionou a tomada de posições foram operações com as ações da Petrobras. O Credit Suisse fez uma compra e venda no valor de R$ 500 milhões. Depois, a XP Investimentos fez outra de quase R$ 200 milhões.
Ao longo do pregão, a movimentação com os ativos da estatal só cresceu e no término da jornada a ação PN tinha girado mais de R$ 2,48 bilhões, até fechar com alta de 2,24%, a R$ 36,50.
Outro destaque corporativo foi a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN). A ação ganhou 3,92%, para R$ 66,41, com o terceiro maior volume do dia. Em reunião, o controlador da empresa, Benjamin Steinbruch, disse que o plano para os ativos de minério de ferro da companhia é montar uma empresa com vendas de 150 milhões de toneladas por ano e com capital aberto em bolsa.
" O momento é agora " , disse, para vender de 20% a 25% do capital da empresa. Para o executivo, essa nova companhia, dependendo dos ativos de mineração e logística que forem incorporados, pode ter um valor de mercado em torno de R$ US$ 20 bilhões.
Na mesma reunião, a CSN abordou o reajuste no preço do minério e não descarta alta acima de 90%. A aposta se baseia nos altos valores praticados no mercado à vista e no déficit de oferta.
No setor de mineração, os agentes ficaram mais apreensivos. Segundo o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, o governo deve propor a criação de um órgão regulador para o setor de mineração.
Captando os ganhos da Petrobras, CSN e outras ações, o Ibovespa chegou a bater os 70 mil pontos, mas terminou a jornada aos 69.576 pontos, alta de 1,46%. Maior pontuação desde 19 de janeiro. Vale lembrar que o índice chegou a operar em baixa no começo do pregão.
O volume financeiro também chamou a atenção, foram mais de R$ 10 bilhões, o maior desde 2 de maior de 2008 para dias sem vencimento de opões e índice futuro.
Para os grafistas uma resistência importante foi rompida. Agora o índice tem que superar os 697.20 pontos para retomar a linha dos 71 mil pontos e depois ir em busca das máximas históricas na faixa dos 74 mil pontos.
Ainda no front corporativo, mas fora do índice, a ação PN da Telebrás caiu 11,91%, a R$ 1,70. Na mínima, o papel bateu R$ 1,28, queda de 33%. O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Franklin Martins, disse que Plano Nacional de Banda Larga não será implementado totalmente em 2010. " O plano está sendo concebido para ir até 2014 e é evidente que não será todo realizado este ano. Parte dele será feito este ano " , observou em audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado.
As ações da companhia estavam em ebulição em meio a comentários de reativação da estatal para cuidar do projeto de banda larga. Esses comentários ganharam ainda mais força depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse em entrevista que a empresa seria reativada.
No mercado de câmbio, o dólar resistiu durante um bom tempo à melhora de humor captada pela Bovespa e chegou a ser negociado a R$ 1,803 na máxima, mas os vendedores acabaram aparecendo. No final do dia, a moeda valia R$ 1,782 na venda, baixa de 0,33%.
Na roda de " pronto " da Bolsa de Mercadorias e Futuros (BM & F), o dólar declinou 0,61%, para R$ 1,7790. O volume recuou de US$ 63,5 milhões para US$ 49,5 milhões. Já os negócios no interbancário aumentaram, de US$ 3 bilhões para US$ 3,6 bilhões.
O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, assinalou que a divulgação de notícias favoráveis em relação ao Brasil pode ter contribuído para a reversão do rumo do câmbio ao fim da sessão.
A agência de classificação de risco Fitch Ratings apontou que as perspectivas para os bancos brasileiros são positivas em 2010. Também comentou sobre a economia de forma mais generalizada, apontando que o Brasil está bem posicionado para crescer em 2010.
No mercado de juros futuros, as curvas oscilaram entre alta e baixa, mas, no fechamento da sessão, os agentes não quiseram tomar partido e os contratos fecharam praticamente estáveis.
Como na bolsa, o volume negociação também chamou a atenção. Foram 1,188 milhão de contratos, equivalentes a R$ 108,011 bilhões (US$ 60,592 bilhões), volume 112,5% superior ao de segunda-feira.
Na avaliação do diretor da Brascan Gestão de Ativos, Luiz Fernando Romano, os vencimentos seguem se ajustando depois da divulgação da produção industrial e do IPCA, na semana passada.
" Os dados divulgados geraram uma posição mais tranquila para os ajustes. Os fatores determinantes para o movimento dos juros e da atuação do Banco Central serão o PIB e as vendas do varejo " , apontou Romano, chamando atenção para a agenda de indicadores da quinta-feira.
Ao fim da jornada na BM & F, o contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) com vencimento em janeiro de 2011, o mais líquido do dia, subia 0,02 ponto percentual, a 10,41%, enquanto o DI do primeiro mês de 2012 operava estável, a 11,52%, mesma trajetória do contrato de janeiro de 2013, que mantinha taxa de 11,89%. O DI de janeiro de 2014, por sua vez, avançava 0,01 ponto, a 12,06%.
Entre os vencimentos curtos, julho de 2010, que divide as apostas quanto à possibilidade de alta na Selic no primeiro ou no segundo semestre, mantinha taxa de 9,25%, assim como o DI de abril, a 8,754%.
O vencimento para janeiro de 2011 foi o mais negociado, com 349.410 contratos, equivalentes a R$ 32,213 bilhões (US$ 18,071 bilhões).
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